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Outras formas de pensar e lidar com a ansiedade

 

Élen Mota, psicologa santantoniense, atendendo na Sociedade José Petitinga, em S.A.Jesus

Por muito tempo a ansiedade foi vista como uma vilã, algo ruim e patológico a ser superado e evitado a qualquer custo. Não só a ansiedade como também outras emoções descritas de forma negativa, medo, raiva, tristeza, entre outras. Rotular os afetos, as emoções de forma dicotômica, bom/ruim, positivo/negativo, é uma frágil tentativa em simplificar algo tão complexo e subjetivo que tanto contribui e contribuiu para o processo de evolução e adaptação dos seres humanos ao ambiente. 
Vamos nos debruçar um pouquinho acerca da ansiedade. A preocupação é um dos sintomas mais evidentes nos quadros de ansiedade, indivíduos com sintomas ansiosos desenvolveram o hábito de antecipar frequentemente perigos e ameaças. Certo, e você sabe o motivo desse hábito permanecer mesmo causando sofrimento? A ‘pre’ocupação é mantida como uma forma de se preparar para as incertezas do futuro, sendo reforçada quando os desfechos catastróficos que criamos em nossa mente não ocorrem e também por diminuir um pouquinho os sintomas fisiológicos (ROEMER; OSILLO, 2016).  
Outro fator que transforma a ansiedade em algo patológico é a associação de estados humanos funcionais, como medo e ansiedade, a uma característica negativa do indivíduo. Quando você está ansioso(a), pode passar na sua cabeça: “Sou um(a) fraco(a)”. Desta forma, responde aos seus pensamentos e estados emocionais ansiosos com muita autocrítica e julgamento.  
Agora, chegamos a pergunta basilar do texto: de que forma você tem lidado com suas experiências ansiosas? Sua estratégia é evitar a situação e se proteger a qualquer custo?  
Embora interfiram bastante na qualidade de vida, esses comportamentos, muitas vezes problemáticos (evitar a situação e buscar segurança), proporcionam alívio a curto prazo, por isso são postos em prática com maior frequência. Exemplo: Se você tem ansiedade quando se percebe em um local cheio de gente, de difícil evasão, pode ficar atento aos primeiros sinais de ansiedade, nesse instante sua mente se enche de pensamentos catastróficos e a primeira coisa que faz é buscar uma saída para se afastar daquele ambiente o mais rápido possível. Quando consegue sair, logo sente-se calmo(a), diminuindo a ativação fisiológica que causa muito desconforto.  
No entanto, ao se engajar frequentemente nesse padrão de evitação, poderá restringir suas ações a ponto de não participar de qualquer atividade em locais parecidos que sirvam de gatilhos para os sintomas, ou seja, quanto mais se protegem, menos se expõem e dificilmente descobrirão que a ansiedade tem uma fase de pico e, após essa, o próprio corpo vai se acalmando através das ações do sistema parassimpático.  
O medo das experiências internas de ansiedade, das sensações corporais e o uso de estratégias rígidas de fuga e evitação agravam a intensidade e duração dos mesmos, podendo interferir sobremaneira na qualidade de vida, transformando-se em uma patologia. A evitação é uma característica fundamental dos transtornos de ansiedade (CLARK; BECK, 2012; ROEMER; OSILLO, 2016).   
E o que a gente pode entender a partir disso tudo? Não é apenas a ansiedade em si, mas o modo como você lida com ela que vai desencadear um adoecimento psíquico. A reatividade negativa às emoções, principalmente àquelas que são consideradas desconfortáveis, e comportamentos de evitação e fuga tornam mais difícil o indivíduo entender que os pensamentos, sentimentos e sensações naturalmente surgem, mudam e desaparecem ao longo do tempo, interferindo na capacidade de compreender e responder de forma funcional aos estados emocionais (ROEMER; OSILLO, 2016).  
Referências 
CLARK, D.A.; BECK, A.T. Vencendo a ansiedade e a preocupação com a terapia cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2012.  
ROEMER, L.; ORSILLO, S.M. Uma terapia comportamental baseada em aceitação para o transtorno de ansiedade generalizada. In: Barlow, D. H. Manual clínico dos transtornos psicológicos: tratamento passo a passo. Porto Alegre: Artmed, 2016, p.206-236.  
 
LEAHY, R. L. Como lidar com as preocupações: sete passos para impedir que elas paralisem você. Porto Alegre: Artmed, 2007.  
 
Elen Mota de Sousa 
Psicóloga (CRP 03/13.585) formada pela UFRB, Pós-graduada em Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional. Psicóloga clínica - Terapia Cognitivo-Comportamental, atende adolescentes e adultos em consultório particular e no serviço social da Sociedade Espírita José Petitinga. Contatos: elenmotapsi@hotmail.com; (75)98837-8100. Fanpage: www.facebook.com/psi.elenmota  


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