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Defesa de Zé Cocá e o 'jornalismo tóxico' que só existe quando atinge aliados

Todos são inocentes até que se prove o contrário. É o princípio básico da presunção da inocência, presente inclusive na Constituição Federal. Porém, quando se trata de uma classe específica, é impressionante como os pares se esforçam para “garantir” que os políticos são inocentes, mesmo que haja elementos suficientes para adicionar uma interrogação em reputações. Ontem, na Assembleia Legislativa da Bahia, foi possível assistir a uma série de defesas do deputado estadual Zé Cocá (PP), citado pela Polícia Federal por possíveis irregularidades na gestão dele à frente da prefeitura de Lafaiete Coutinho. 

Sim, é possível que a PF se engane. Agora, há um histórico recente de que, quando se trata da investigação de conluios políticos, o órgão tende a acertar. Como ninguém é culpado até a sentença transitado em julgado, tecnicamente Zé Cocá realmente é inocente. Entretanto, havendo o indício de que o ex-prefeito usava laranjas para fraudar licitações e desviar recursos públicos no fornecimento de combustível, a defesa calorosa pelos parlamentares poderia – ou ao menos deveria – ser mais discreta. 

Do jeito que as coisas andam, não é recomendável colocar a mão no fogo por ninguém do meio político. Não que todos sejam culpados. Agora correr para assegurar a inocência do outro é potencialmente arriscado. A explicação para que a defesa desenfreada aconteça é apenas uma: corporativismo. A lógica, todavia, só funciona com aliados. Quando o acusado é adversário político, não faltam figuras a atirar pedras em Madalenas. 

No caso de Zé Cocá, o discurso de apoio a ele veio principalmente de deputados de partidos que integram a base aliada do governo. O próprio parlamentar fez sua autodefesa e se disse inocente do inquérito que teve a administração dele como alvo. Está certíssimo. Ou alguém no lugar dele faria o contrário? O que preocupa não é ele garantir ser inocente. É o fato de que, da mesma forma como muitos apressam o julgamento de adversários como culpados, fazem no mesmo ritmo quando querem que o aliado seja inocentado. 

Não dá para ter dois pesos e duas medidas. Ao menos, espera-se que não exista. Se os deputados partem para o ataque à imprensa por, supostamente, fazer “jornalismo tóxico” ao divulgar operações da PF, é esperado que adotem a mesma postura quando o alvo é o outro lado. Ou alguém viu adversários defendendo nomes como Luiz Inácio Lula da Silva, Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha e tantos outros que figuraram no noticiário policial ao longo dos últimos anos? Coerência é artigo de luxo entre os políticos...Bahia Noticias


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